Estudo coordenado pela Fiocruz encontrou resíduos da droga e de seu principal metabólito em rios e canais ligados à Baía de Guanabara

Uma pesquisa coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou a presença de cocaína em cinco rios e canais do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana. Os pesquisadores também encontraram benzoilecgonina, substância produzida pelo organismo após o consumo da droga e eliminada principalmente pela urina.
O estudo apontou níveis de contaminação considerados elevados quando comparados aos registrados em pesquisas semelhantes realizadas na Bélgica, Espanha e Estados Unidos.
Foram analisadas amostras dos rios Irajá, Carioca e Meriti e dos canais do Cunha e do Mangue. Todos esses cursos d’água possuem ligação com a Baía de Guanabara.
Cocaína foi encontrada em quase todas as amostras
Durante um ano, entre julho de 2022 e junho de 2023, os pesquisadores coletaram 60 amostras de água. Apenas uma não apresentou vestígios de cocaína. Já a benzoilecgonina foi detectada em todas as amostras analisadas.
A concentração dos resíduos foi maior durante os períodos de chuva, especialmente em janeiro. Segundo os pesquisadores, o aumento acompanha padrões já observados em outros estudos, que apontam maior presença de drogas ilícitas no ambiente durante períodos de férias e festas.
Impactos no meio ambiente
Além de analisar a qualidade da água, os cientistas avaliaram os possíveis efeitos da contaminação sobre organismos aquáticos.
Testes realizados com peixes indicaram aumento da mortalidade, além de deformações e alterações neurológicas e cardiovasculares. De acordo com o estudo, a benzoilecgonina apresentou efeitos ainda mais nocivos aos organismos avaliados do que a própria cocaína.
Diante dos resultados, os pesquisadores defendem que a cocaína e seus derivados sejam incluídos em programas de monitoramento ambiental, especialmente em regiões sujeitas à contaminação por esgoto doméstico.
Estudo foi ampliado
Após a primeira etapa, a pesquisa foi ampliada e passou a analisar 13 rios do estado do Rio de Janeiro. Uma nova fase do levantamento deve ser concluída no primeiro semestre de 2027.
O tema também ganhou repercussão em julho deste ano, quando pesquisadores da Fiocruz identificaram, pela primeira vez no mundo, a presença de cocaína em tubarões encontrados no litoral do Rio de Janeiro.