A candidata Kelaine Goulart (Novo) continua na disputa pela Prefeitura de Itaguaí. Seu nome e número, 30, estarão disponíveis na urna eletrônica no dia 25 de outubro, e os votos recebidos serão contabilizados, conforme prevê o artigo 16-A da Lei das Eleições para candidatos cujo registro ainda está sendo analisado pela Justiça Eleitoral. A decisão final sobre a candidatura caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para onde a defesa pretende recorrer. Na quinta-feira (15), o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) manteve, por unanimidade, a decisão de primeira instância que havia indeferido o registro de Kelaine em 14 de setembro. O julgamento envolve uma questão técnica relacionada à interpretação dos calendários eleitorais. Kelaine disputou a eleição geral de 2026 para deputada federal e também registrou candidatura à eleição suplementar de Itaguaí, convocada após a anulação do pleito municipal de 2024. Para o TRE-RJ, o artigo 88 do Código Eleitoral, que impede uma mesma pessoa de concorrer simultaneamente a mais de um cargo, também se aplica à eleição suplementar, ainda que os calendários não coincidam completamente. A decisão não aponta fraude, abuso de poder ou irregularidade na propaganda eleitoral. O relator do caso, desembargador Bruno Bodart, acompanhado pelos magistrados Paulo Cesar Salomão Filho e Fábio Ribeiro Porto, considerou a sobreposição dos períodos de campanha. A campanha para deputada federal começou em 16 de agosto, enquanto a eleição suplementar de Itaguaí foi autorizada em 26 de agosto. Segundo o entendimento do tribunal, caminhadas e publicações realizadas nesse intervalo de dez dias indicariam que Kelaine já mantinha contato com o eleitorado local. A candidata mora e atua na cidade há quase duas décadas. Defesa afirma que eleições são independentes A defesa de Kelaine sustenta que as duas eleições são processos distintos, com registros, prazos e tramitações próprias. Os advogados argumentam que a restrição prevista no artigo 88 do Código Eleitoral foi criada para eleições simultâneas e não deveria ser aplicada a uma eleição suplementar convocada posteriormente. A defesa também afirma que a candidata não obteve vantagem sobre os adversários, pois, como moradora de Itaguaí, sempre teve o direito de circular pela cidade e manter suas atividades no município. Considerada inédita, a questão será levada ao TSE. O tribunal já analisou, em outras ocasiões, os limites da aplicação do artigo 88 em eleições suplementares. Candidata aparecerá na urna com o número 30 Na prática, os eleitores não terão qualquer alteração no momento da votação. No domingo, dia 25, Kelaine Goulart aparecerá na urna eletrônica com o número 30, ao lado dos demais candidatos, e os votos serão registrados normalmente. Caso o TSE confirme o registro, os votos serão considerados integralmente na apuração do resultado. A Justiça Eleitoral do Rio já havia reconhecido, em 12 de outubro, o direito de Kelaine de fazer campanha. Na ocasião, o TRE-RJ derrubou uma decisão da zona eleitoral de Itaguaí que tentava impedir a candidata de realizar propaganda ao lado de Flávio Bolsonaro. O tribunal considerou a proibição desproporcional. Kelaine foi a segunda candidata a deputada federal mais votada em Itaguaí no primeiro turno, com 5.656 votos. Ela também dirige há 19 anos um instituto social no município. Na eleição suplementar, Kelaine concorre pela coligação O Povo no Poder, formada por Novo e MDB, tendo Beto do Posto como candidato a vice-prefeito.
Entregador é baleado durante confronto entre traficantes em Madureira
O entregador de açaí Luís Cláudio Galisa dos Santos, de 26 anos, foi baleado enquanto trabalhava na noite deste sábado (17), na Rua Tatuí, no Morro do Cajueiro, em Madureira, na Zona Norte do Rio. Ele foi atingido durante um confronto entre traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP), que teriam saído do Morro da Serrinha, e criminosos do Comando Vermelho (CV), que controlam a região. Segundo Adriana Almeida, mãe de Luís Cláudio, o filho fazia uma entrega quando começou o tiroteio. Ele foi atingido por dois disparos: um no tórax, que atravessou o corpo e atingiu o braço, e outro no abdômen, com saída pela nádega. A própria cliente teria usado o carro para socorrer o entregador. Inicialmente, Luís Cláudio foi levado à UPA de Rocha Miranda, que estava lotada de pessoas feridas. Depois, ele foi transferido para o Hospital Municipal Salgado Filho. “Ele já estava perdendo muito sangue e parecia estar com uma hemorragia. Aparentemente, está falando e lúcido, mas ainda muito nervoso com o ocorrido”, relatou Adriana. A Secretaria Municipal de Saúde informou que duas pessoas baleadas deram entrada na UPA de Rocha Miranda. Luís Cláudio foi encaminhado ao Hospital Municipal Salgado Filho e apresenta quadro de saúde estável. O outro paciente foi transferido para o Hospital Estadual Getúlio Vargas. Outro entregador morreu De acordo com Adriana, outro entregador também foi baleado durante o confronto, mas não resistiu aos ferimentos. A Polícia Civil identificou a vítima como Wendrel Silva da Rocha. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) foi acionada e investiga o homicídio. A Polícia Militar informou que agentes do 9º BPM (Rocha Miranda) foram chamados para verificar a ocorrência de um possível ataque armado promovido por criminosos da Serrinha contra a comunidade Congonha, em Madureira. Durante a ação, os policiais avistaram um veículo deixando a região em alta velocidade. Na abordagem, os agentes encontraram um homem baleado dentro do automóvel, que era levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. O caso foi registrado na 29ª DP (Madureira). A Polícia Civil realiza diligências para identificar os responsáveis pelos disparos e apura a atuação de grupos criminosos na região. Moradores relatam clima de guerra Segundo Adriana, os tiros começaram por volta das 22h e duraram aproximadamente uma hora. Ela afirmou que os moradores ficaram impedidos de entrar ou sair da comunidade e relatou que criminosos abordavam pessoas nas ruas. “Foi muito, mas muito tiro. Pelo barulho, parecia que era dentro de casa. Ninguém conseguia sair, e quem estava na rua não conseguia entrar na comunidade. Foi uma sessão de horror”, disse. A região tem registrado sucessivas tentativas de invasão e disputas entre facções pelo controle territorial. Para Adriana, a violência tem afetado diretamente a rotina dos moradores. Esta não foi a primeira vez que Luís Cláudio foi baleado durante um confronto entre criminosos. Em agosto de 2024, ele foi atingido de raspão durante um ataque a um bar na Rua Silvio Tibiriçá, em Turiaçu. Na ocasião, quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas. “Ele estava saindo para fazer uma entrega quando começou o tiroteio. Conseguiu correr e voltar, mas mesmo assim foi atingido de raspão. Ontem foi um horror, e ele não teve a mesma sorte”, contou a mãe. Moradora de Madureira há muitos anos, Adriana cobrou mais segurança para a região. “Nossos filhos precisam trabalhar. A gente precisa de segurança para ir e vir, porque daqui a pouco não vamos conseguir sair para trabalhar. A bandidagem tomou conta. A gente paga impostos e mantém as contas em dia. O mínimo a que temos direito é segurança. Hoje foi meu filho; amanhã pode ser o filho de outra pessoa”, lamentou.
Cantora gospel Gisele Nascimento é agredida no Rio; filho atira contra suspeito, que morre
A cantora gospel Gisele Nascimento, de 43 anos, foi agredida durante uma discussão em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O caso terminou com a morte de Thiago de Mattos Teixeira, apontado como autor das agressões, e está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Segundo informações da Polícia Militar, a confusão aconteceu no sábado (17), na Rua Mário Larrúbia. Gisele teria ido à casa da ex-sogra quando Thiago, irmão de seu ex-marido, supostamente partiu para cima dela e desferiu um soco em seu rosto. De acordo com as informações divulgadas, o filho da cantora, Israel Nascimento, de 21 anos, presenciou a agressão. Em seguida, ele teria buscado uma arma pertencente ao pai, policial civil aposentado, e efetuado três disparos contra Thiago. O homem foi socorrido e levado ao Hospital Oeste D’Or, em Campo Grande, mas não resistiu aos ferimentos. Desde a tarde de sábado, Israel não teria sido localizado pela família. Cantora apresentou marcas de agressão Imagens divulgadas após o episódio mostram ferimentos na boca e na nuca de Gisele. Ainda no sábado, a artista prestou depoimento na 35ª DP (Campo Grande) e foi encaminhada ao Instituto Médico-Legal (IML), onde realizou exame de corpo de delito. Nas redes sociais, Allan Oliveira, atual marido da cantora, comentou o ocorrido e manifestou apoio à família. Gisele também compartilhou uma publicação com a frase: “Israel, você é o herói da sua mãe”. Conforme registros policiais, a cantora já havia denunciado Thiago por agressão em 2009. Neste domingo (18), familiares de Thiago compareceram ao IML para providenciar a liberação do corpo. Eles não quiseram comentar o caso. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do episódio.