Em 2018, milhões de brasileiros foram às ruas e às urnas carregando uma promessa: chega de corrupção, chega de político de estimação, chega de passar pano para quem rouba o dinheiro público. Jair Messias Bolsonaro tornou-se o principal símbolo daquela revolta. O discurso era direto: não importava se o corrupto era de esquerda, de direita, amigo ou inimigo. Se houvesse suspeita, deveria haver investigação. Se houvesse crime comprovado, deveria haver punição. A régua deveria ser a mesma para todos. Mas oito anos depois, uma pergunta precisa ser feita — e talvez ela incomode justamente aqueles que mais se dizem defensores do legado de 2018: Essa direita ainda existe? Ou aquilo que estamos vendo em 2026 é apenas uma versão eleitoralmente conveniente do bolsonarismo, na qual a camisa verde e amarela continua, mas a régua moral mudou? Quando o discurso encontra os próprios aliados Durante anos, uma das principais críticas feitas à esquerda foi justamente a existência do chamado “político de estimação”. Quando um político de esquerda era investigado, seus adversários diziam: “Deixem a Justiça investigar.” Quando surgiam denúncias, a resposta era: “Quem não deve não teme.” Quando alguém era preso: “A Justiça está funcionando.” Era esse o discurso. E estava correto. O problema é que princípio só é princípio quando continua valendo quando o alvo é alguém do nosso lado. Se a regra muda dependendo da cor da camisa, então não estamos falando de combate à corrupção. Estamos falando de torcida organizada. E aí chegamos ao Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar tornou-se um dos homens mais poderosos da política fluminense. Ex-presidente da Alerj, teve seu nome colocado no centro de uma grave investigação da Polícia Federal na Operação Unha e Carne. Ele foi preso preventivamente no âmbito da investigação, que apura suspeitas de vazamento de informações sigilosas relacionadas a uma operação contra integrantes ligados ao Comando Vermelho. Bacellar nega as acusações. Em outro episódio, relacionado ao caso Ceperj, teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. TH Joias, outro personagem que ganhou enorme projeção dentro da Alerj, tornou-se réu na Justiça Federal em uma ação envolvendo acusações extremamente graves relacionadas a uma suposta organização criminosa. Ele também nega as acusações. Thiago Rangel foi preso pela Polícia Federal em maio de 2026 em investigação envolvendo suspeitas de desvios de recursos destinados a obras em escolas públicas. Depois de cerca de três meses preso, renunciou ao mandato. Também nega as acusações. E Cláudio Castro? O ex-governador voltou ao radar da Polícia Federal em agosto, na Operação Sem Refino, que investiga suspeitas relacionadas a licenças ambientais, lavagem de dinheiro e ao setor de combustíveis. Castro nega irregularidades. Ninguém está dizendo que investigação é condenação. Mas existe uma diferença gigantesca entre condenar alguém sem julgamento e simplesmente fazer de conta que uma investigação não existe. O eleitor não precisa esperar uma sentença para fazer perguntas. E Douglas Ruas? Aqui está talvez a parte mais interessante dessa história. Douglas Ruas é candidato do PL ao Governo do Rio. Quer se apresentar como representante da direita. Quer disputar o eleitorado bolsonarista. Mas sua trajetória política está diretamente ligada à estrutura de poder que governou o Rio nos últimos anos. Foi secretário estadual de Cidades no governo Cláudio Castro. Depois, chegou à presidência da Alerj justamente após a queda de Rodrigo Bacellar. Ou seja: não estamos falando de alguém que apareceu ontem na política dizendo que vai combater o sistema. Estamos falando de alguém que cresceu dentro dele. E isso não é crime. Mas é política. E política precisa ser questionada. Durante sua passagem pela Secretaria de Cidades, uma auditoria do governo interino apontou possíveis irregularidades em contratos da pasta. Um dos casos envolve um contrato de recapeamento em São Gonçalo que saiu de aproximadamente R$ 99,7 milhões para R$ 144,9 milhões após um aditivo de 45%. O caso foi encaminhado aos órgãos competentes. Ruas e os demais citados negam irregularidades. Mais uma vez: investigar não é condenar. Mas também não é absolver. Então por que colocar todos no mesmo pacote de Bolsonaro? Essa é a pergunta. Porque, se Bolsonaro foi apresentado ao eleitor em 2018 como o homem que iria romper com a velha política, combater a corrupção e não aceitar privilégios, como podemos simplesmente colocar no mesmo pedestal políticos que construíram suas carreiras dentro das estruturas tradicionais de poder do Rio? Não parece coerente. E talvez seja até ofensivo. Não necessariamente ofensivo a Bolsonaro. Ofensivo ao eleitor que acreditou naquela mensagem. Porque aquele eleitor não saiu às ruas em 2018 simplesmente para trocar o político de estimação da esquerda pelo político de estimação da direita. Saiu justamente para acabar com a ideia de que político deve ser protegido por seus apoiadores. Bolsonaro não pode virar um carimbo Existe hoje um fenômeno preocupante na política brasileira. O sujeito coloca Bolsonaro na propaganda. Usa a bandeira do Brasil. Cita o ex-presidente. Faz foto com alguma liderança nacional. E pronto. Ganha automaticamente o certificado de “direita raiz”. Mas desde quando fotografia substitui biografia? Desde quando slogan substitui histórico? Desde quando partido substitui caráter? E, principalmente: desde quando ser apoiado por Bolsonaro significa estar acima de qualquer questionamento? Se esse raciocínio prevalecer, a direita terá criado exatamente aquilo que dizia combater. O político de estimação. A ironia é brutal A esquerda foi acusada durante anos de relativizar os problemas de seus próprios representantes. Agora, parte da direita parece estar perigosamente próxima de fazer a mesma coisa. Quando é o adversário: “Tem que investigar!” Quando é o aliado: “Perseguição política!” Quando é o adversário: “A Justiça precisa agir!” Quando é o aliado: “Não existe prova nenhuma!” Quando é o adversário: “Quem não deve não teme!” Quando é o aliado: “Estão tentando destruir a direita!” Mas espere. Se não existe nada a temer, por que ter medo da investigação? O problema não é ser de direita Ser de direita não é problema. Ser bolsonarista também não. O problema é usar a direita como escudo. Se existe investigação, investigue. Se existe denúncia, responda. Se existe acusação, apresente defesa. Se não existe
Procon fiscaliza Shopping Plaza Rio das Ostras após interrupção de energia
Estabelecimento ficou sem energia elétrica por mais de seis horas; Procon autuou a Enel por má prestação do serviço O Procon de Rio das Ostras realizou, neste sábado (12), uma ação de fiscalização no Shopping Plaza Rio das Ostras após o local permanecer sem energia elétrica desde as 9h. A interrupção prolongada do fornecimento afetou o funcionamento dos estabelecimentos comerciais e causou impactos para comerciantes e consumidores que estavam no shopping. Acionada diante da situação, a equipe do Procon esteve no local para verificar a ocorrência. Durante a fiscalização, o órgão constatou a interrupção no fornecimento e autuou a Enel por má prestação do serviço, em razão da duração do problema. Segundo as informações divulgadas pelo Procon, o fornecimento de energia elétrica foi restabelecido por volta das 15h40, após mais de seis horas de interrupção. O órgão orienta que consumidores que identificarem abusos ou possíveis descumprimentos de seus direitos formalizem reclamações e denúncias, contribuindo para as ações de fiscalização. Como denunciar O atendimento presencial do Procon de Rio das Ostras é realizado de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, na Avenida das Casuarinas, nº 595, no Centro de Cidadania, no Âncora. Também é possível solicitar atendimento pelo aplicativo Colab, disponível para celular e pelo site. Por meio da plataforma, o consumidor pode agendar data e horário para ser atendido. Denúncias também podem ser encaminhadas pelo WhatsApp (22) 2771-6581, exclusivamente por mensagens de texto.