Itaguaí parece condenada a viver sob o signo da instabilidade política. Desde 2022, a cidade vem sendo marcada por disputas eleitorais, decisões judiciais, mudanças no comando do município e candidaturas cercadas de controvérsias. O episódio mais emblemático foi protagonizado pelo ex-prefeito Rubem Vieira, o Rubão, que tentou retornar ao cargo em uma disputa marcada pela discussão sobre aquilo que a Justiça tratou como uma tentativa de terceiro mandato. O resultado foi um longo imbróglio jurídico e uma cidade submetida a um ambiente permanente de incerteza política. Agora, em 2026, o roteiro parece ganhar um novo capítulo — desta vez envolvendo Kelaine Goulart. Kelaine registrou candidatura para disputar uma vaga de deputada estadual nas eleições gerais de 2026 e, paralelamente, pretende disputar a Prefeitura de Itaguaí na eleição suplementar. Ou seja: a mesma personagem colocou seu nome em duas disputas eleitorais diferentes no mesmo ano. E isso merece, no mínimo, uma reflexão. Caso mantenha a intenção de disputar a eleição suplementar, Kelaine poderá novamente colocar Itaguaí diante de uma candidatura cuja situação jurídica precisará ser analisada pela Justiça Eleitoral. Não se trata de antecipar uma decisão judicial, mas de questionar politicamente uma escolha que pode contribuir para prolongar justamente o cenário de instabilidade que a cidade vem enfrentando. Itaguaí já teve sua dose de insegurança política. A população passou anos acompanhando decisões judiciais, recursos e disputas pelo comando da Prefeitura. A cidade precisa de um prefeito que possa governar com segurança jurídica e planejamento, e não de mais uma eleição cujo resultado possa abrir um novo capítulo de incertezas. E há outro ponto que chama atenção: por que disputar simultaneamente uma vaga de deputada estadual e a Prefeitura de Itaguaí? É legítimo que qualquer cidadão que preencha os requisitos legais queira disputar uma eleição. Mas também é legítimo que o eleitor questione as estratégias políticas de quem pretende ocupar dois espaços tão distintos no mesmo ciclo eleitoral. A impressão que fica é a de uma política cada vez mais voltada à disputa pelo poder e cada vez menos preocupada em oferecer à população uma alternativa estável para o futuro da cidade. Kelaine tem todo o direito de colocar seu nome à disposição do eleitor. Mas o eleitor também tem o direito — e o dever — de perguntar quais são as reais consequências dessa escolha para Itaguaí. Depois de tudo o que o município viveu desde 2022, seria razoável esperar que os grupos políticos apresentassem soluções capazes de encerrar o ciclo de instabilidade. Em vez disso, Itaguaí parece caminhar novamente para uma eleição cercada de dúvidas. E o cidadão fica no meio dessa disputa. Porque enquanto políticos disputam mandatos, Itaguaí precisa de alguém que tenha condições de governar. A cidade não pode continuar sendo tratada como um tabuleiro de estratégias eleitorais, no qual a população descobre somente depois das urnas se o vencedor poderá, de fato, exercer o mandato. Itaguaí precisa de estabilidade. Precisa de previsibilidade. Precisa de governo. E, acima de tudo, precisa que seus interesses estejam acima dos projetos pessoais de quem pretende ocupar o poder.
Nova Iguaçu terá quatro novos piscinões para reduzir impactos das enchentes
Acordo entre a Prefeitura e a Light libera áreas para implantação dos reservatórios. Somadas à revitalização de uma estrutura já existente, as obras poderão ampliar a capacidade de armazenamento para 346 milhões de litros de água da chuva A Prefeitura de Nova Iguaçu avançou no projeto de combate às enchentes no município. A administração municipal recebeu da Light autorização para utilizar áreas da companhia que serão destinadas à construção de quatro novos piscinões. O acordo foi tratado pelo prefeito Dudu Reina (PP) e pelo presidente da Light, Alexandre Nogueira Ferreira, na última quarta-feira (16). A proposta prevê a implantação de quatro novos reservatórios, além da revitalização de uma estrutura já existente. Ao todo, o sistema poderá alcançar uma capacidade de armazenamento de 346 milhões de litros de água da chuva, volume equivalente a aproximadamente 92 piscinas olímpicas. Segundo o projeto, as intervenções terão impacto sobre uma área estimada em 4,7 milhões de metros quadrados e poderão beneficiar mais de 100 mil moradores de diferentes regiões da cidade. Recursos do Novo PAC A Light deve encaminhar, na próxima semana, a minuta do termo de cessão dos terrenos para a Prefeitura. Após a análise da Procuradoria-Geral do Município e a assinatura do documento, o projeto será encaminhado ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal para viabilizar a liberação dos recursos previstos no Novo PAC. O município possui aproximadamente R$ 49 milhões previstos para a execução das intervenções. Projeto prevê drenagem da água da Serra de Madureira Além da construção dos reservatórios, o projeto prevê a implantação de novas estruturas de microdrenagem para captar e conduzir a água que desce da Serra de Madureira durante os períodos de chuva intensa. A primeira etapa deverá contemplar o Bairro da Luz, especialmente a região próxima ao Fórum. A previsão é construir uma rede de drenagem capaz de conduzir a água até o reservatório localizado no Canal do Moquetá. A expectativa da Prefeitura é que o conjunto de intervenções ajude a diminuir a pressão sobre ruas, canais e demais estruturas de drenagem durante temporais, reduzindo os impactos causados pelos alagamentos. Onde ficarão os reservatórios Os cinco reservatórios previstos no projeto — considerando os quatro novos e a estrutura que será revitalizada — ficarão nas regiões de: O maior dos reservatórios terá capacidade estimada em 106,5 milhões de litros de água. Mais de 11 bairros na área de influência De acordo com o projeto apresentado pela Prefeitura, pelo menos 11 bairros estarão na área de influência das obras: Bairro da Luz, Chacrinha, Santa Eugênia, Ouro Verde, Jardim Alvorada, Jardim Canaã, Jardim Pernambuco, Nova Era, Centro, Vila Bandeirantes e Moquetá. A iniciativa faz parte do conjunto de medidas planejadas pelo município para ampliar a capacidade de drenagem e armazenamento de águas pluviais, especialmente em áreas consideradas vulneráveis durante períodos de chuvas fortes.